Revista GQ lança edição especial produzida por mulheres

Pela primeira vez uma revista masculina brasileira tem suas páginas pensadas e produzidas por mulheres, entre editoras, repórteres, fotógrafas e ilustradoras. O novo olhar feminino sobre o mundo, as lições e os conceitos fundamentais para entender e se alinhar com o poder transformador do feminismo contemporâneo são o norte da edição especial de março #GQPorElas, que traz a escritora e roteirista Antonia Pellegrino, uma das mulheres à frente do movimento feminista no Brasil, como editora especial convidada.
“Um homem ser feminista num grupo de homens e entender a perspectiva da mulher, conversando com seus pares, é muito importante, é inteligente, é precioso e sexy também”, afirma Bruna Linzmeyer em entrevista exclusiva à
edição. “Com certeza um homem pode ser feminista. Todos podemos. Mas é importante na perspectiva do homem, mesmo aquele que já se diz feminista, ouvir o que a mulher tem a dizer.”
Além dela, as outras três atrizes globais, Taís Araújo, Leandra Leal e Camila Pitanga ilustram as diferentes versões de capa e se unem para responder uma das dúvidas masculinas mais frequentes no debate sobre o feminismo: qual é, afinal, o papel dos homens no movimento?
As estrelas de capa, feministas autodeclaradas, possuem uma opinião em comum sobre a dúvida masculina: “O grande papel do homem agora é escutar”. A declaração dada por Leandra Leal durante ensaio também resume o viés das matérias apresentadas ao longo da edição de março.
“Queremos que nossos leitores entendam o que nós homens podemos fazer a favor da igualdade de gêneros, entre outras reivindicações das mulheres. Precisamos desconstruir a ideia que muitos de nós temos sobre o feminismo
como sendo uma movimentação contra nós, homens”, diz Ricardo Franca Cruz, diretor de redação da revista.
As quatro atrizes, cada uma em seu lugar de fala, possuem um papel importante dentro do movimento feminista. Taís tem sido bastante ouvida na questão de gênero e raça e causou comoção ao discursar no seminário TEDXSão
Paulo ano passado. Bruna Linzmeyer, que no ano passado declarou-se bissexual, tem levantado a bandeira das mulheres homossexuais, bi e trans. “O fato de eu me declarar como uma mulher lésbica é um ato político. Eu não
sou só lésbica, eu não caibo nessas caixinhas. Sou um ser livre. Mas dar nome a essa caixinha é importante para podermos jogar luz sobre elas”, conta à GQ.
Camila Pitanga é uma figura disseminadora de discursos e abriu as portas de sua casa para aulas semanais sobre temas ligados ao feminismo com a filósofa e ativista Djamila Ribeiro. “Achei que era o momento de dar a mão,
trocar confidências, não ficar só numa pesquisa intelectual, porque o problema acontece na pele, no dia a dia”.
Leandra Leal, por sua vez, tem se manifestado publicamente em entrevistas e em seus perfis nas redes sociais sobre assuntos como direito ao poder de decisão sobre o próprio corpo e aborto. “O direito da mulher ao seu corpo é
radical. Não dá para uma comissão de 18 homens dizer se a mulher pode ou não ter direito ao aborto”, afirma.
Com a edição especial #GQPorElas de março, o olhar feminista promete deixar marcas profundas na publicação masculina e em todas suas plataformas. “A partir do trabalho nesta edição, estamos rediscutindo nosso papel como
marca masculina, entendendo o que cabe e o que não cabe mais em uma revista do nosso segmento. Já na edição comemorativa de nosso sétimo aniversário, em abril, teremos uma ‘nova GQ'”, diz Ricardo Franca Cruz.

Fonte: Revista GQ

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